Extinção

Cada vez mais próximo da extinção, cada dia que passa mais próximo da imagem de uma vida no passado, melhor cada dia que passa mais urge a necessidade de uma nova composição musical onde se multiplicam as gravações do passado, os cd’s de música antiga e as odes do futuro perdido, mais próximo da extinção, reticente em escrever aniquilação, por demasiados erros repetidos e como dizia um alemão evidentemente, um erro. Poder-se há ter certezas como esse mesmo alemão Wittgenstein e que regra de verificação me afasta então da extinção, da profunda corrente de um emaranhado de memorias que deviam fluir no mesmo sentido mas me dividem em fragmentos de pesar, de pânico e profunda certeza na beleza mas no entanto há como que uma linha dispersa que me separa da estética para me fazer reflectir na extinção como a destruição lenta de todos os paradigmas, com a reflexão profunda da deterioração do corpo, como uma ânsia de superar a natureza e não ceder aos caprichos da mesma. E seria tão fácil avançar por um caminho de imortalidade, exaltar as capacidades pessoais e demarcar me da norma, mas enfim fala me a extinção silenciosa que me persegue, uma ameaça veemente que anuncia ou prenuncia um final em tudo quanto caracteriza o ser.

Uma extinção das faculdades, a extinção do saber, a saber a percepção da rede em que nos integramos, a noção de evolução, a noção de concretização, o apelo da completude, a contemplação do belo, a procura de um centro, a procura de autonomia, a desagregação do tempo e do espaço, as ameaças dignas dos melhores policiais, um épico da morte e sua reflexão na vida terrena, os acidentes, os assassinatos, toda a cultura mórbida de uma sociedade jovem em tenra idade, aproximando-se da maturidade, frente a frente com o seu declínio histórico e biológico. Frente a frente com o seu amâgo e com as suas fragilidades. Na frente de uma batalha centenária de um novo vigor e esperança e no entanto verificando apenas os erros do passado, um balanço instável que define o equilíbrio e mesmo a capacidade de avançar, como um passo no asfalto que não posse ser rígido por oposição á imobilidade, como que uma inércia não obstante submersa na percepção de caminhar, em que sentido com que fundamentos com que propósito último e agregador. Assim, em silêncio continuavam a suceder-se os passos e multiplicava-se o eco dos mesmos antevendo mais alguém.

também publicado numa página de ensaio:
http://www.liszarya.000a.biz

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s