O Tempo e o Espaço

O Tempo e o Espaço
Lisa Henriques

Inspira-nos a natureza, o horizonte, o ideal de beleza, a harmonia, a fertilidade, a emoção, o equilíbrio, a leveza, o movimento vital e a coreografia no tempo e espaço que revelam a intimidade e sua relação com o espaço exterior a si.
A relação do individuo com o seu próprio corpo, o seu papel na sociedade, a forma como nos apresentamos, como nos movemos, os gestos característicos de cada um que nos identificam e distinguem.
O movimento como arte, o bailado expressa os sentimentos mais íntimos da alma humana. Em essência a expressão e conhecimento do corpo humano permite nos trabalhar os nossos pontos ou centros vitais e desenvolver o nosso equilíbrio corporal, físico e psiquico de forma a poder executar movimentos que se apresentam como um momento de realização pessoal.
Executar uma pirueta espontânea implica um estado de espírito muito particular em que todo o corpo e mente respondem e se conjugam no sentido da elevação, da leveza e ao focar toda a atenção no momento, o tempo exacto permite o equilíbrio total e dinâmico.
A execução dos movimentos descritos pela Técnica de Bailado Clássico exigem uma preparação que passa pela resistência, necessário aquecimento dos músculos através de alongamentos para que não se dêem lesões sérias que bloqueiam o sistema nervoso.
Seguros de que o corpo está preparado para comunicar o que sente e há intenção, motivação e coordenação para a expressão do movimento estamos em condições de dar vida, a Arte Coreográfica.
Mentalmente podemos visualizar a acção que vamos executar, tendo em atenção os tempos em que vamos executar os movimentos, a sua sequência lógica e uma cadência própria a cada um, é possível criar momentos de tensão e de surpresa através de pausas ou velocidades distintas na execução dos movimentos, sejam as posições clássicas, piruetas ou uma conjugação de elementos originais ou variações na sequência dos passos, alterações na posição dos braços, na posição de origem ou inicial da formação, a posição que assume após a execução de uma piruteta, a postura do corpo, a inclinação do tronco, a posição da cabeça, a linha das mãos, a curvatura dos braços, a posição dos pés e pernas que podem flectir ou projectar-se no ar em sequências distintas.
A velocidade impõe no movimento de acordo com o impacto que se quer transmitir, a força da emoção que se representa, a exigência da execução dos movimentos inatos mas fruto de um profundo auto conhecimento, expressão, em vertigem, no limite das forças do bailarino que se transcende.
O desejo, para lá do amor transcendente pela alma gémea reside em poder executar movimentos que desafiam a gravidade, o que faz com que o seu corpo assuma uma dimensão para lá da existência , revela a sua leveza e emoções profundas em cada gesto, como que elevasse, executar piruetas estonteantes que aceleram o batimento cardíaco e dão uma
dimensão sobrenatural ao corpo em movimento que se expressa assim com veemência e absoluta sintonia com a natureza, a beleza e a fertilidade na Terra.
O Bailado Clássico apresenta um reportório de peças para palco, em que os temas românticos, a fantasia, a narrativa e a representação da vida na corte assumem os seus expoentes máximos pela paixão que transmitem, pelo nível de desenvolvimento da Técnica de Ballet Clássico, o nível de coordenação e profundidade emocional e estética alcançados pelo bailado, a dimensão épica das orquestrações, sinfónicas e operaticas que pautam os bailados, para lá da execução exímia dos bailarinos principais e corpo de baile as pautas de música compostas especificamente para a composição coreográfica, as orquestras, os figurinos elaborados, a iluminação e o cenário vivo das peças apresentadas, o bailado assume diversas vertentes um pouco por todo mundo, assumindo se com uma dimensão universal.
No Bailado Moderno assistimos a uma adopção de temas mais relacionados com a nossa relação com a vida na cidade, a resistência em tempo de guerra a concepção do mundo moderno, para além da Técnica de Ballet Clássico assume uma Liberdade Transcendental de criação de ambientes propícios a algum experimentalismo que quebra com os limites impostos a nível de resistência e flexibilidade, ousar superar o Homem, uma abordagem do bailarino como interlocutor activo na comunicação da expressão artística e não um mero instrumento na coreografia, o que abre o espectro em composição coreográfica.
A composição coreográfica é determinada pela vivência do coreografo, a sua experiência e relação com a sociedade o que define a sua percepção da realidade, o movimento que define a identidade de quem executa o mesmo e exprime através do seu corpo uma emoção privada que pode ser comunicada ao público com uma intenção, o objectivo de demonstrar a sua liberdade de expressão, transmitir um sentimento ou o impacto gráfico de determinado gesto que marca o observador, uma imagem que ficará gravado na memória, referência e referencial do tempo no espaço, o que motiva os profissionais num mesmo desígnio.
Seja de acordo com a sua capacidade para transmitir a emoção desejada, o impacto do movimento que executa num momento preciso no tempo, o que determina o sucesso do seu investimento, a sua visão, a coordenação entre espaço, tempo e o movimento do corpo assumem-se como a relação essencial para que o momento suscite surpresa, para que haja uma reacção por parte do observador num curto espaço de tempo, sendo possível apreciar o efeito, seja o efeito desejado pelo coreografo ou bailarino que podem ser uma e a mesma pessoa ou distintos, sendo a capacidade do bailarino executante medida em função da sua capacidade de transmitir o sentimento original que motivou a elaboração de determinada composição coreográfica.

Estas emoções a que o coreografo dá vida, numa primeira fase na sua mente e numa fase posterior em palco, através dos movimentos arquitectados e conjugados no sentido da sua visão, dar vida aos elementos coreográficos no espaço , elementos de composição responsáveis pela comunicação, o objecto em si, o corpo vibra e respira.
A obra, a composição, a visão diz respeito à criação de um mundo onde há Justiça, a procura de um ambiente propício ao desenvolvimento e discussão de ideias. O bailado, a fruição e criação artística, cultural e intelectual, a Estética, uma abordagem distinta da concepção do eu, da beleza e da expressão, a dinâmica do tempo no espaço, a imagem, a emoção, o desenvolvimento da Humanidade enquanto comunidade de sentido e objectivos, nomeadamente a vida em sociedade capaz de fazer o homem superar se a si e aspirar a um ambiente saudável e gerador do Bem, através da consagração ao Divino à verdade, a compreensão do corpo e a transmissão de conhecimento puro.
A História da Dança revela a evolução social e política da Humanidade através das suas manifestações artísticas ao longo do tempo que denotam alterações profundas na percepção do corpo, a relação entre o eu, o outro, o estudo e conhecimento do corpo humano e a evolução da Técnica de Dança, sinais do tempo, os gestos, a atitude, o movimento, a acção, a coreografia, a percepção do papel do indivíduo, do bailado e da arte na própria História.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s